Edição #21: Como construir sua pirâmide de preços por categoria

No varejo com estratégia, o preço não nasce do custo. Ele nasce do posicionamento.

A margem é consequência. O custo é variável. Mas o preço não, o preço é estratégico.

E uma das ferramentas mais importantes para estruturar seu sortimento com coerência e resultado é a pirâmide de preços.

Hoje vamos entender como usá-la de forma prática, com foco em equilíbrio comercial, percepção de valor e gestão por categoria.


O que é a pirâmide de preços?

É a estruturação do sortimento por faixas de preço, com pesos definidos para cada nível:

  • Base (P1): produtos de entrada, essenciais, competitivos em preço
  • Meio (P2): sustentação comercial, equilíbrio entre volume e margem
  • Topo (P3): produtos de imagem, inovação, posicionamento elevado

A pirâmide organiza a distribuição de produtos e dá intenção comercial ao sortimento.


Por que isso importa?

Sem pirâmide clara, o sortimento vira:

  • Muito “parecido” (mesmo preço, pouca diferenciação)
  • Ou muito “solto” (saltos grandes de preço, sem lógica)
  • Ou pior: desequilibrado (muito topo e pouco volume, ou vice-versa)

A consequência?

Erro de profundidade, margem pressionada, ruptura nas faixas que giram, excesso onde não deveria ter.


Como construir sua pirâmide de preços por categoria

1. Olhe para o posicionamento da marca

A pirâmide de uma marca premium é diferente de uma marca de entrada. O topo pode representar 30% ou 5%, depende do papel da marca no mercado.

O importante é: preço é mensagem. E a pirâmide precisa reforçar essa mensagem.


2. Defina os degraus com base em percepção, não em centavos

Se seus preços são R$ 99, R$ 139 e R$ 199 e depois aparece um R$ 217,90… Você quebra a lógica da pirâmide.

Os degraus de preço precisam ser percebidos pelo cliente. Use faixas coerentes com a diferenciação do produto, com saltos planejados, e não variações sem sentido.


3. Atribua pesos por faixa com base em giro e margem

Exemplo clássico de pirâmide funcional:

  • P1: 40% do sortimento → preço de entrada, alto giro
  • P2: 40% → produtos que sustentam margem e identidade
  • P3: 20% → inovação, imagem, impacto,

Claro que os pesos podem variar por categoria. Mas o equilíbrio entre volume, margem e valor percebido é a chave.


4. Faça isso por categoria, não para a coleção como um todo

Cada categoria tem sua própria lógica.

Exemplo:

  • Em camisetas: base forte, meio robusto, topo pontual
  • Em jeans: meio dominante, base técnica, topo com inovação de modelagem
  • Em calçados: base e meio equilibrados, topo com itens sazonais

Não existe uma pirâmide única para toda a empresa. Existe uma pirâmide por categoria com papel claro.


Exemplo prático: pirâmide de preços para camisas masculinas

  • R$ 119 a R$ 149 → base (35%)
  • R$ 159 a R$ 199 → meio (45%)
  • R$ 219 a R$ 299 → topo (20%)

Essa lógica sustenta:

  • Giro na base
  • Margem no meio
  • Percepção de valor no topo

E tudo isso precisa estar conectado ao plano de OTB, à margem planejada e à expectativa de exposição.


A pirâmide ajuda a controlar o sortimento sem podar a criatividade.

Você não precisa ter medo de criar. Mas precisa garantir que o sortimento sirva ao negócio e não só ao gosto do estilista ou do diretor comercial.

Com a pirâmide, você compra com liberdade, mas com limite. E limites bem definidos evitam prejuízos mal explicados.


Semana que vem: Como planejar a reposição com inteligência

Vamos sair do mundo da compra e entrar na reatividade. Porque, no varejo real, a coleção não termina quando chega. Ela só começa.

E quem domina a lógica da reposição, domina o giro.

Nos vemos lá!

— André Alcalde