No varejo, estoque é investimento. E como todo investimento, ele precisa gerar retorno no tempo certo, com o risco certo, e com uma performance que sustente o crescimento do negócio.
Dois indicadores sustentam essa lógica e, ainda assim, são frequentemente mal compreendidos:
Cobertura e Giro.
Hoje vamos entender o que esses indicadores realmente significam, como se conectam ao OTB e por que são os verdadeiros termômetros da eficiência comercial.
O que é cobertura de estoque?
Cobertura representa quantos dias (ou semanas) de venda futura o seu estoque atual consegue sustentar.
Exemplo simples: Se você vende, em média, R$ 100 mil por semana e está com R$ 400 mil em estoque, sua cobertura é de 4 semanas.
É um indicador de tempo. Ele mostra quanto você tem de “oxigênio” no estoque antes de precisar reabastecer.
O que é giro de estoque?
Giro representa quantas vezes o estoque gira dentro de um período.
É uma medida de velocidade. Geralmente expressa em “vezes ao ano” — ou “média mensal”.
Exemplo: Se o seu estoque médio no ano foi de R$ 500 mil e você vendeu R$ 2 milhões, seu giro foi 4x ao ano.
Qual a diferença entre eles?
Eles são inversamente proporcionais: Quanto maior o giro, menor tende a ser a cobertura (e vice-versa).
Mas atenção: um giro alto com margem baixa pode esconder problemas. Uma cobertura alta com ruptura alta também.
Os dois precisam ser lidos juntos e estarem conectados com a estratégia da empresa.
Existe uma cobertura “ideal”?
A resposta mais honesta: depende.
A cobertura ideal está diretamente ligada a dois fatores:
- Lead time da cadeia de fornecimento Quanto tempo demora entre o pedido e o recebimento? Se sua cadeia é longa, precisa de mais cobertura.
- Comportamento da categoria/produto Produtos de moda exigem mais variedade e menor profundidade. Produtos básicos ou contínuos pedem mais profundidade e menos variedade.
Exemplo prático: camisetas vs. jaquetas
- Camisetas (básico, giro alto, lead time curto): cobertura de 60 a 80 dias
- Jaquetas (sazonal, alto custo, decisão lenta): cobertura de 90 a 120 dias
Não faz sentido aplicar uma cobertura padronizada de “90 dias” (o famoso 3 para 1) para todas as categorias. Planejar cobertura é planejar o negócio com critério.
O que cobertura e giro revelam na prática
- Se você está comprando demais
- Se está vendendo mais devagar do que imaginava
- Se está ficando sem produto na hora errada
- Se está financiando o seu estoque com o seu fluxo de caixa
Estoque não pode ser só “o que tem no CD”. Ele é reflexo da estratégia e precisa ser analisado no detalhe.
O papel do OTB nessa equação
O plano de OTB é quem define a cobertura desejada mês a mês, categoria por categoria. E o acompanhamento de giro real é o que valida se o plano está funcionando.
A disciplina de acompanhar esses dois indicadores, com frequência e sem viés, muda o jogo.
Semana que vem: OTB como ferramenta de governança
Vamos falar sobre como usar o OTB não apenas como uma ferramenta de planejamento, mas como uma ferramenta de gestão contínua.
É ele quem deve pautar as reuniões, os ajustes de rota e até as decisões táticas no dia a dia. Se seu OTB é construído e esquecido, essa próxima edição vai te provocar.
Nos vemos lá!


