Edição #05: O papel do executivo como protagonista

Seguimos no Bloco 1: Fundamentos e Estratégia, onde temos construído a base para um varejo mais estruturado, menos reativo e com decisões mais conscientes.

Falamos sobre estratégia, propósito, metas, projetos e cultura. Mas existe um ponto que costumo reforçar em todas as consultorias, mentorias e palestras: não existe estratégia viva sem liderança viva.

E isso nos leva ao tema desta semana: o papel do executivo como protagonista.


Executivo: executor ou protagonista?

Muitos executivos ainda se enxergam — e são vistos — como bons executores de tarefas. Eles recebem metas, administram o time, entregam resultados e “fazem o que precisa ser feito”.

Mas o varejo que dá certo exige outro tipo de liderança: o executivo protagonista. Aquele que não apenas cumpre o que foi definido, mas participa ativamente da definição do que precisa ser feito.


O que significa ser protagonista da estratégia?

  • Ler o negócio com profundidade. Entender não só a sua área, mas os impactos dela no todo: estoque, margem, fluxo de caixa, posicionamento.
  • Levar provocações à mesa. Não esperar que a diretoria defina tudo, mas trazer dados, cenários e propostas.
  • Traduzir estratégia para execução. Ajudar o time a entender “o porquê” por trás de cada meta e conectar tarefas ao objetivo maior.
  • Ser guardião do método. Garantir que rituais, controles e indicadores sejam respeitados e que a estratégia não morra no improviso.

Por que isso é crucial no varejo?

O varejo é um organismo vivo. A cada semana, há novas campanhas, recebimentos, ajustes de sortimento, decisões sobre preço. Se os executivos não assumirem um papel ativo, a operação entra no “modo reativo” — e quem define a agenda passa a ser o calendário promocional, o fornecedor mais insistente ou a urgência do dia.

Empresas maduras têm executivos que puxam a estratégia — e não apenas “apagam incêndios”.


Exemplo prático: o executivo de planejamento

Um bom time de planejamento não apenas entrega relatórios. Ele interpreta dados, conecta áreas, defende o OTB, questiona decisões de compra e provoca ajustes no sortimento.

Essa postura faz com que o planejamento deixe de ser “a área que só aponta problemas” e se torne “a área que ajuda o negócio a tomar melhores decisões”.


Reflexão para a semana

  • Você participa da definição do planejamento estratégico ou apenas o executa?
  • Seu time entende o porquê das metas ou só “bate número”?
  • Você é visto como executor ou como construtor de caminhos?

A resposta para essas perguntas mostra o tamanho do seu protagonismo.


Semana que vem: O elo entre estratégia e estoque

Encerrando o Bloco 1, vamos falar sobre um tema que costumo chamar de a ponte mais crítica do varejo: como alinhar a estratégia de negócios com a gestão de estoques, garantindo que o que está nas araras (ou no site) converse com o que a empresa quer ser.

Nos vemos lá.

— André Alcalde