Edição #01: Planejar não é prever o futuro. É alinhar o presente ao futuro que se deseja.

Começaremos hoje o Bloco 1: Fundamentos e Estratégia, que vai guiar as primeiras semanas de conteúdo do Simplesmente Varejo com os pilares que sustentam toda boa gestão: clareza de propósito e modelo de gestão.

Sem esses fundamentos, qualquer ação vira atalho. E no varejo, o improviso cobra caro.

Ao longo deste bloco, vamos falar sobre o que realmente separa empresas que crescem de forma consistente daquelas que apenas reagem ao mercado.

Por que começar pelo Planejamento Estratégico?

A maior parte dos gestores acredita que planejamento começa com o orçamento de vendas. Mas toda estratégia começa por algo mais fundamental: saber para onde queremos ir.

Não é sobre Post it na parede. É sobre direção.

Planejamento estratégico não é um slide bonito nem uma frase motivacional na parede. É uma construção concreta, que conecta o propósito da empresa ao seu dia a dia. É o processo de traduzir intenção em ação, visão em projetos, e projetos em resultado.

Na prática, isso significa:

  • saber por que a empresa existe (além do lucro),
  • onde ela quer estar em 5 anos,
  • quais frentes precisam ser fortalecidas,
  • e como medir se o caminho está funcionando.

Os blocos que sustentam a estratégia

  1. Propósito A razão de existir da empresa. Aquilo que inspira e dá sentido às decisões — especialmente nos momentos difíceis.
  2. Pilares estratégicos Grandes frentes que sustentam o negócio: crescimento, marca, experiência do cliente, eficiência operacional.
  3. Intenções estratégicas Direções amplas que conectam o propósito ao plano de ação. Ex: “Expandir o canal digital”, “Melhorar a rentabilidade das lojas”.
  4. Projetos estratégicos com dono O que precisa ser feito? Com quais prazos, orçamentos e times?
  5. Metas com indicadores (OKRs) Como saber se estamos avançando? Boas metas são específicas, mensuráveis e têm dono.
  6. Cultura de execução Sem cadência de avaliação, metas viram promessas. Sem cultura, avaliação vira cobrança. A estratégia precisa viver nos rituais da empresa.

Exemplo: o impacto na gestão de estoques

Uma estratégia clara evita compras desnecessárias, rupturas e remarcações precoces.

Exemplo prático: reduzir cobertura sem critério pode matar a venda. Mas quando essa decisão vem baseada em dados (sell-through, cluster, margem), ela melhora giro e rentabilidade.

Giro, margem e sortimento não são números operacionais. São reflexos da estratégia.


O papel do executivo como protagonista

  • Você participa da definição da estratégia da sua empresa?
  • Consegue levar sua visão de área para quem decide?
  • É apenas um executor ou um construtor de caminhos?

Planejamento estratégico não é tarefa do board apenas. É também uma competência do gestor que quer liderar com coerência e visão.


Para aplicar agora: 6 passos para estruturar sua estratégia

  1. Defina o propósito organizacional
  2. Mapeie os pilares que sustentam esse propósito
  3. Estabeleça intenções e metas claras (OKRs)
  4. Liste os projetos estratégicos com escopo e responsáveis
  5. Crie comitês com times multidisciplinares
  6. Estruture os rituais: planejamento, acompanhamento e avaliação

Evite esses erros comuns

  • Tomar decisões sem conexão com a estratégia
  • Executar projetos que não entregam resultado
  • Operar sem metas concretas
  • Ignorar o papel da cultura
  • Medir sucesso com benchmarks frágeis (“melhor que o ano passado”)

Semana que vem: Por que começar com Propósito?

Antes da meta, vem o sentido. Vamos aprofundar a importância do propósito como ponto de partida da gestão estratégica e o que ele muda, na prática, nas decisões do dia a dia.

Nos vemos lá!

— André Alcalde